("FUMUS BONI JÚRIS")

sábado, 18 de julho de 2009

O "QUINTO DOS INFERNOS"







O "QUINTO DOS INFERNOS"


Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".
Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos". A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...

Para que? Para sustentar a corrupção, campanhas eleitorais, o PAC, o mensalão, o Senado e sua legião de "diretores", a festa das passagens, os cartões corporativos, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo, os salários de marajás, etc. etc. etc..

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar esta corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Nelson Mandela


Vila de Nelson Mandela guarda costumes tribais da África do Sul


Nos 91 anos de Nelson Mandela, o caminho do líder e como a história começou.

RENATO RIBEIRO e EDU BERNARDES Mvezo, África do Sul



Uma pequena vila, berço de tradições tribais. Terra que viu crescer um homem e um sonho. O homem ganhou nome: Nelson Mandela. Ele sonhava algo até então impensável na África do Sul: igualdade.

Eram tempos brutais, de apartheid - a divisão entre negros e brancos. Tempos em que a cor da pele determinava destinos. Mas Mandela venceu. Uniu seu povo. Virou presidente, líder, símbolo da África do Sul.
De onde surge um líder?
Como é formado um herói?
O que fez de Nelson Mandela alguém tão especial?

Viajamos até o interior da África do Sul para conhecer a infância do homem que mudou a história de um país e de um povo. Viemos até a província do Cabo Ocidental. Um lugar rural, onde a globalização não parece ter chegado. Uma paisagem bem distante das grandes cidades. Aqui, a única riqueza é o que a natureza oferece.

Este é o berço de Mandela. Exatamente onde nasceu, com o nome de Rolihlahla, do clã dos Madiba. Rolihlahla significa “encrenqueiro, levado”. O pai dele era um líder tribal. Tinha quatro mulheres e 13 filhos.

Quando completou 7 anos, Mandela foi para escola. No primeiro dia de aula, ganhou um nome cristão, tradição na época. Assim, passou a ser chamado de Nelson.

No terreno bem ao lado de onde Mandela nasceu, vive, por coincidência, nosso guia nessa viagem. John Telakung tem 40 anos. Sua mulher, Monoperakot, 32. Vivem da agricultura e das gorjetas dos poucos turistas que vêm visitar o local.

O casal e os dois filhos se dividem em três ocas. Jamais tiveram televisão em casa. A energia elétrica chegou há seis anos. "Eu tenho muito orgulho de viver aqui. Porque Madiba nasceu aqui e fez as coisas que fez", disse ela.

Quando tinha 5 anos, Mandela mudou de vila. O pai perdeu uma disputa de poder tribal. Ele e a mãe se mudaram para Qunu, a 30 quilômetros. Em Qunu, ele cresceu brincando. Hoje, onde ele aprontava com os amigos, no alto de uma colina, há um pequeno museu em sua homenagem.

Aconselhada por amigos, a mãe resolveu colocar o pequeno Rolihlahla na escola. Mandela foi apresentado ao que mudaria seu destino depois: a Educação. Foi em uma pequena cabana que há 91 anos nasceu Nelson Mandela. É um lugar simples e rústico. Tanto tempo depois, a maioria das pessoas ainda vive em moradias assim.

Qunu tem até hoje a marca dos Mandela. Quando vem à vila, dorme em seu casarão. Bem próximo, fica o cemitério particular da família. Aqui estão enterrados os parentes de Madiba, incluindo dois de seus filhos.

Em frente ao cemitério, encontramos Morisse, de 78 anos, irmão de Mandela. Ele vive em uma casa simples e trabalha no campo. Um estilo de vida que parece parado no tempo: "Nunca imaginei que ele se tornaria alguém conhecido no mundo inteiro pela infância pobre que ele teve", nos contou Morisse, que não fala inglês. Fala apenas Xhosa, o segundo idioma mais falado na África do Sul.

Quando se tornou adolescente, Mandela mais uma vez mudou de vila. Ele se separou da mãe, que o deixou aos cuidados do líder da tribo de Mqhekezweni.

Até que quando tinha 18 anos, Mandela soube que o líder havia preparado um casamento para ele. Isso era comum entre os Xhosa. Mandela se desesperou. Não queria casar naquele momento. Tinha um sonho. Terminar os estudos para chegar à universidade e ser advogado.

Não teve dúvidas. Pegou um trem às escondidas e seguiu para Joanesburgo, a grande metrópole. O resto da história o mundo conhece. Ele conseguiu se formar. Como advogado, iniciou a luta contra o apartheid. Foi morar em Soweto e virou símbolo do bairro.

Foi exilado, participou da luta armada até ser preso. Foram 27 anos na prisão. Atrás das grades, negociou com paciência o fim do regime de segregação racial. Com o diálogo, fez uma revolução sem armas. Foi libertado em 1990 e, quatro anos depois, eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

Prêmio Nobel da Paz, um dos maiores personagens do século 20, Mandela sempre carregou com ele suas raízes. A paz de Mvezo. A simplicidade de Qunu. Os valores de seu clã, que só aumentou. Ele tem seis filhos, 23 netos, três bisnetos e um país inteiro como herança. Seu legado.

Esta é a história das origens de Nelson Rolihlahla Mandela. Para os sul-africanos, simplesmente, Madiba. O pai de todos.

No aniversário de Nelson Mandela, os repórteres Renato Ribeiro e Edu Bernardes foram até atrás das raízes do líder africano. Leia o depoimento de Renato Ribeiro sobre a viagem e a família de Mandela.

Mvezo e Qunu são vilas paradas no tempo. Para chegar lá, pegamos um voo de uma hora e meia de Joanesburgo até Umtata, na província do Cabo Ocidental - antiga República do Transkei. De lá, mais uma hora de carro. Primeiro, asfalto. Depois, terra, pedra. Em Mvezo, o celular pega mal, as ocas não têm televisão. A energia elétrica chegou há poucos anos. A natureza ainda é soberana. Rio, montanhas, animais, exatamente como Nelson Mandela descreve em sua biografia - “Long walk to freedom”.

Nesses lugares, a sociedade ainda é tribal. Há um chefe. Em Mvezo, o líder é Mandla Mandela, neto de Mandela. Mesmo nascido longe do berço do clã dos Madiba, ele decidiu ir em busca das origens. Há três anos, foi para lá e, naturalmente, com o sobrenome que carrega, tornou-se o chefe tribal. Quando fomos lá, ele não estava. É deputado federal e tinha compromissos no Parlamento, na Cidade do Cabo. Mandla segue os passos políticos do avô.

Conhecendo onde Madiba passou a infância e a adolescência é possível entender muito de sua essência: a simplicidade, a paz de espírito que ele passa. Nesses quase cinco meses morando na África do Sul, eu e o repórter cinematográfico Edu Bernardes tivemos a chance de ver Mandela três vezes. Podemos garantir que o simples olhar dele é diferente. Um homem raro. Um dos maiores personagens do século passado. Para os sul-africanos, um santo vivo.

Deixo o último parágrafo da biografia desse herói, no sentido literário da palavra: “Caminhei muito aqui. Mas ao olhar para trás e ver o quanto percorri, logo percebi que posso admirar isso por apenas alguns instantes. Há muito a ser feito. Olho para a frente e vejo o quanto ainda temos o que andar nesse longo caminho para a liberdade”.

Por Renato Ribeiro


Vista panorâmica da vila Qunu, local onde Mandela nasceu

a maioria das cabanas na vila de Qunu possui essa arquitetura

Tradição Xhosa mantida em pleno século 21: a maioria das cabanas na vila de Qunu possui essa arquitetura

Tradição Xhosa mantida em Qunu

Tradição Xhosa mantida em Qunu

as curandeiras pintam o rosto de branco

Reunião feminina dentro de uma das cabanas: as curandeiras pintam o rosto de branco

Pastoril de ovelhas é muito comum na região de Qunu

Pastoril de ovelhas é muito comum na região de Qunu

Morisse, de 78 anos, trabalha no campo

Morisse, de 78 anos, trabalha no campo

Irmão de Nelson Mandela

Irmão de Nelson Mandela


Meus amigos este é o meu resumo:

RESPEITO

"O respeito mútuo é a primeira condição de toda luta intelectual pela verdade, pela honra, pelo dever e pela pátria." (Rui Barbosa).

O respeito baseia-se na educação do espírito e na formação de um homem de caráter rijo e despido de preconceitos. Traduz-se na consideração e na atenção e deve-se rendê-lo não apenas aos superiores, mas, também a toda humanidade.

É próprio do homem forte, do homem dotado de caráter e de altivez moral. Une os seres honanos, fazendo da coletividade uma força harmoniosa que se transforma em couraça impenetrável aos aríetes da indisciplina, esta chaga que solapa as bases da humanidde.

Mais 522 PMs nas ruas.

Reforço

Rio tem mais 522 PMs nas ruas a partir desta sexta-feira

RIO - O comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, disse nesta quinta-feira que já superou suas expectativas ao conseguir, em setores administrativos da PM, 1.568 policiais para reforçar o patrulhamento ostensivo que, segundo ele, será percebido pela população em até duas semanas. Um terço deste efetivo (522 policiais, distribuídos em vários batalhões e de acordo com uma escala de serviço) estará nas ruas a partir desta sexta-feira.

- Imediatamente, teremos mais 522 policiais e parte desse grupo já estará nas ruas amanhã (sexta-feira). O restante, a população somente vai sentir em, no máximo, duas semanas, já que os policiais passarão por uma reciclagem. O patrulhamento será dividido entre homens a pé e em radiopatrulhas - disse o coronel.

Outra medida tomada por ele para conseguir aumentar o policiamento nas ruas foi o fechamento de 22 postos em favelas, entre elas Rocinha e Mangueira. Entre os bairros beneficiados está a Tijuca, onde o número de crimes vem aumentando, segundo a PM:

PMs reformados poderão voltar à ativa

Uma terceira estratégia para aumentar o efetivo nas ruas já está sendo estudada pelo novo comandante da PM, que pretende levar de volta à ativa os policiais que queiram trabalhar como voluntários. Ele pensou nessa alternativa depois que alguns militares jovens que foram reformados pediram para voltar para a corporação. Se a lei permitir, essa seria, segundo ele, uma alternativa até que outros concursos sejam feitos:

- Seria uma forma de reabrir os quartéis para essas pessoas. Muitos foram para casa jovens e estão deprimidos, querendo trabalhar. Se a lei e o estatuto da PM permitirem, teremos um plano de reaproveitamento de voluntários. Não vou convocar ninguém obrigatoriamente.

domingo, 12 de julho de 2009

Carta para a Igreja e aos Cidadãos

Paz! Meu querido e novo amigo irmão, pastor Cerqueira, fiquei muito feliz pelo convite ontem, todavia, por circunstâncias fortuitas fui impedido de comparecer. Entretanto, quero que saibas que seria uma honra compor a tribuna com o amado pastor. Quando pronúncio "AMADO" não é demagogia, é sentimento recíproco de RESPEITO, pois, o respeito é um dever moral necessário a convivência harmoniosa de qualquer coletividade. Juntamente com a obediência e outras virtudes, encontra as suas primeiras manifestações no âmbito da família e projeta-se no seio da sociedade para se constituir em um dever de todo cidadão.
No entanto, com essa nova amizade, começo a mudar o conceito sócial que tinha com base na famosa trova de Rui Barbosa:

"Há tantos burros mandando
em homens de inteligência,
que às vezes fico pensando
que a burrice é uma ciência".

Permita-me o desabafo, mas, temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde os talentosos não conseguem passar. Na verdade meu irmão, em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, que nos impede de avançar, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis `as legiões dos lúcidos.
Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdan, somos forçados admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabe como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.
É um paradoxo angustiante.
Infelizmente temos que conviver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Na visão cicular meu amado, acho sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues:
"finge-te de idiota e terás o céu e terra".
O problema é que os inteligentes gostam de brilhar. Que Deus nos proteja.
Contudo, venho ressaltar mais uma vez a satisfação de conhecer o amado irmão e o seu ministério "Igreja Evangélica o 4º Homem da fornalha". Que a nossa aliança seja abençoada por Deus! pois, nós estamos na palavra de Deus, em especial no SL 119. 116.

Atenciosamente.
Pb. Sebastião Fernandes


Pr. Cerqueira


SEDE ADMINISTRATIVA NO RECREIO DOS BANDEIRANTES - RJ





NOSSA CONGREGAÇÃO EM VILAR DO TELES-RJ


Palavras do Pastor:
No dia 18 de novembro de 2008 iniciamos os nossos cultos em nossa filial em Vilar dos Teles. O Pastor Marcelo Cerqueira abriu o culto e abençoou em o nome de Jesus nos linkando direto no seu programa de rádio ao vivo onde pudemos abençoar várias outras vidas. Na primeira foto o pastor presidente.

sábado, 11 de julho de 2009

Capa do Livro


Comandante da PM se reúne com cabos e soldados no Quartel General
10/07/2009 - 15h09
Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Mário Sergio de Brito Duarte, realizou na manhã desta sexta-feira (10/07), sua primeira reunião com cabos e soldados, representantes deste circulo hierárquico dos batalhões da capital. O coronel Maário Sergio fez reunião semelhante ontem com os comandantes de unidades operacionais com objetivo de passar a sua filosofia de comando.

O Comandante pediu respeito mútuo entre os policiais que lidam diretamente com a população, seja protegendo o cidadão de bem ou enfrentando o crime em confrontos. Ele falou da modernização que pretende fazer na PM e sobre seu objetivo maior que é enxugar o serviço administrativo, colocando mais policiais nas ruas.

Outra questão abordada foi a saúde de cabos e soldados e de seus familiares. O coronel vai reestruturar o sistema de atendimento de saúde nas unidades médicas e para isso vai se reunir em breve com os diretores de hospitais e policlínicas da corporação.

No encontro o Comandante disse que vai rever a Lei de Promoção de cabos e soldados e vai prestigiar os soldados que estejam estudando. No entanto a promoção por tempo de serviço será mantida.

Participaram da reunião o Chefe Operacional coronel Álvaro Garcia, o chefe do Estado Maior Administrativo coronel Carlos Millan e o Chefe de Gabinete Carlos Eduardo Milagres.


Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus

MÁRTIRES E HERÓIS DO SAGRADO CORAÇÃO *

Uma devoção que desperta o ódio dos ímpios

“Quase sempre, os inimigos do Sagrado Coração foram os inimigos da Igreja”— constatou com lucidez o grande historiador da devoção ao Coração de Jesus, Padre Augusto Hamon S.J.

Esse ódio, que se manifestou já na época de Santa Margarida, foi particularmente virulento durante a Revolução Francesa, durante a qual muitos devotos do Sagrado Coração foram martirizados.


Em 7 de agosto de 1037 o ódio comuno-socialista promoveu o simbólico fuzilamento da estátua do Sagrado Coração

Mais tarde estourou nos sequazes do socialismo e do comunismo, que manifestaram em inúmeras ocasiões sua ira durante os séculos XIX e XX. O episódio mais simbólico do ódio comuno‑socialista ao Sagrado Coração deu‑se em 1936: foi o fuzilamento e destruição por dinamite da majestosa estátua do Sagrado Coração, fincada no cume do Cerro de los Angeles, nas imediações de Madrid. Ela exercia do alto do monte uma espécie de reinado moral sobre a Espanha.

Uma devoção militante

O ódio dos maus apresentou, pela primeira vez, uma nota sangrenta durante a Revolução de 1789. Naqueles tristes dias, dois fatores, de natureza oposta, atuaram concomitantemente. De um lado, os católicos perseguidos pela Revolução, movidos por um instinto sobrenatural, refugiavam‑se na devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Simetricamente, o instinto revolucionário percebia que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus representava um sintoma de resistência irredutível.

Esses anos de tragédia deixaram ver uma nota própria da devoção: sua militância. Todos percebiam que os devotos do Sagrado Coração eram então atacados, caçados e, quando possível, eliminados. Essas características militantes da devoção ao Coração de Jesus, não tivesse havido o impacto do ódio revolucionário, poderiam ter passado despercebidas para muitos.

Tais características se firmaram com o tempo e ganharam nitidez durante o século XIX — chamado o século do Sagrado Coração — quando o culto ao Sagrado Coração esteve marcado por uma piedosa e militante recusa aos princípios da Revolução Francesa.

As “salvaguardas”, proteção nas calamidades


Salvaguarda ou Escudo do Sagrado Coração de Jesus — também conhecido como bentinho ou detente

Já antes dessa revolução eram largamente difundidas as salvaguardas, um pequeno escudo ou distintivo branco ou vermelho, geralmente de algodão, com a estampa do Sagrado Coração. Em português, são comumente chamadas de bentinhos. Passaram, a partir de certa época, a vir acompanhados da inscrição “Alto! O Sagrado Coração está comigo. Venha a nós o Vosso Reino!”

Sua origem remota parece estar na prática aconselhada por Santa Margarida Maria, de ter consigo uma estampa do Sagrado Coração.

Mais proximamente, em Marselha, por ocasião de uma peste terrivelmente mortífera, em 1720, a Bem‑aventurada Ana Madalena Remuzat (1696‑1730) — monja visitandina, continuadora da obra de Santa Margarida Maria — estimulou esse uso piedoso. A estampa vinha rodeada pelas palavras: “Ó Coração de Jesus, abismo de amor e de misericórdia, eu ponho toda a minha confiança em Vós”. Essa prece, pedindo proteção, representava uma salvaguarda contra as devastações da peste. A terrível epidemia muitas vezes se deteve diante deste escudo. A partir daí, a salvaguarda — ou bentinho — foi muito usada como proteção contra outras formas de calamidade.

As “salvaguardas”, sinal de oposição à Revolução Francesa

Sendo a Revolução Francesa um flagelo público, uma calamidade social e religiosa, era natural que as pessoas piedosas se voltassem para o Sagrado Coração, pedindo proteção. Especialmente visadas pelas perseguições, as pessoas da Corte voltaram‑se de maneira particular para o Coração de Jesus. Rezava‑se ali então para que Ele protegesse a França, a Igreja e a instituição da família, que pareciam sem forças diante da tempestade revolucionária que desabava sobre elas.

A devoção foi praticada na Família Real, ameaçada na honra, assim como no patrimônio e na vida. Manifestaram devoção pelo Sagrado Coração, naqueles dias difíceis, o Rei Luís XVI, a Rainha Maria Antonieta, a filha do casal real, Princesa Maria Teresa, a irmã do Rei, Madame Elisabeth e a Princesa de Lamballe, amiga da Rainha, entre outras pessoas principais da Corte. Segundo um jornal da época, a estampa do Sagrado Coração “era o emblema de um grupo, uma espécie de palavra de ordem, que a Princesa de Lamballe e outras senhoras da Corte usavam também, mas bordada com elegância sobre pedaços de tecido de várias cores”.

Para os sacerdotes, ter consigo a salvaguarda era o mesmo que se declarar não-juramentado (isto é, que não havia jurado a iníqua Constituição Civil do Clero); para os leigos, significava ser contra‑revolucionário ou amigo dos aristocratas perseguidos. Uma palavra de ordem dos jacobinos, enviada a todas as municipalidades francesas, advertia que, pela imagem do Sagrado Coração de Jesus, se reconheceriam os membros do “partido contra‑revolucionário”.

"Milhares de pessoas — afirma o Pe. Gaugain de todas as condições sociais e dos dois sexos foram detidas, levadas às Comissões Revolucionárias e lançadas na prisão, seja por haverem confeccionado, seja por portarem o símbolo mais expressivo do amor de Deus pelos homens”, isto é, a estampa do Sagrado Coração. E muitas entre elas foram mortas. Foi o que sucedeu a Madame de Biliais e a suas filhas, as quais tiveram a cabeça cortada porque “distribuíam imagens do Sagrado Coração e outros signos contra‑revolucionários”. Também muitas mulheres acabaram guilhotinadas pelo único crime de “bordar as insígnias da rebelião”, isto é, o Sagrado Coração.

Bem mais tarde, em 1870, por ocasião dos acontecimentos revolucionários da Comuna de Paris, e da derrota diante da Prússia, o bentinho foi muito usado pelos franceses. Pouco depois, uma senhora romana, quis conhecer a opinião de Pio IX a respeito. O Pontífice aprovou o objeto piedoso e afirmou: “Vou benzer este Coração, e quero que todos aqueles que forem feitos segundo esse modelo, recebam esta bênção, sem ser necessário que algum outro padre a renove. Além disso, quero que satanás de modo algum possa causar dano àqueles que trouxerem consigo o bentinho, símbolo do Coração adorável de Jesus", segundo consta do folheto Bentinho do Sagrado Coração de Jesus.

Os mártires do Sagrado Coração

Durante a Revolução Francesa, entre os mártires do Sagrado Coração cumpre lembrar o confessor do Rei, o sacerdote eudista Padre Hébert, martirizado no dia 2 de setembro de 1792, no chamado Massacre do Convento do Carmo, em Paris. Muitos dos sacerdotes ali martirizados tinham consigo a imagem do Sagrado Coração (Os 191 Mártires de Setembro foram beatificados por Pio XI em 1926).

As freiras carmelitas mártires de Compiègne foram condenadas à morte e executadas em 17 de julho de 1794, por haverem distribuído a imagem do Coração de Jesus, “símbolo da Vendéia”, e também por haverem cantado um hino em louvor do Coração de Jesus. (São Pio X as beatificou em 1906.)

Uma das vítimas do ódio revolucionário merece especial menção: a Venerável Maria Vitória Conen de Saint‑Luc, que deixou atrás de si um perfume discreto de desinteresse, fervor, pureza e elevação de atitude.
Seu pai, o Senhor Conen de Saint‑Luc, era conselheiro do Parlamento da Bretanha e irmão do Bispo de Quimper, Monsenhor de Saint‑Luc, adversário fogoso dos jansenistas e grande devoto do Sagrado Coração. Maria Vitória, junto dele e de suas mestras, as visitandinas de Rennes, aprendeu a amar o Coração de Jesus. Levava vida religiosa nas Dames de la Retraite. Quando a Revolução as dispersou, ela foi viver com as Damas do Calvário. Ali continuou a bordar as insígnias do Sagrado Coração e a distribuí‑las entre os conhecidos.

Nos últimos dias de junho de 1792, Maria Vitória viu‑se obrigada a voltar para a casa dos pais, o Castelo de Bot. Lá continuou seu apostolado. Uma das pessoas a quem ela havia enviado insígnias era um amigo das Damas do Calvário, o médico Laroque‑Trémaria. Esse senhor mandou algumas delas a um irmão seu, que comandava um navio. As insígnias enviadas pelo Dr. Laroque‑Trémaria foram porém interceptadas pela polícia revolucionária. Quem lhe havia dado as imagens do Sagrado Coração? Respondeu o doutor: “A encantadora Maria Vitória”. Como resultado, o médico e seu irmão foram guilhotinados. Maria Vitória e seus pais foram igualmente presos em fins de 1793. Ela resistiu com grande força de alma aos rigores da prisão, animosa por estar presa pelo amor de Jesus Cristo. A jovem e seus pais foram transferidos à sinistra prisão da Conciergerie, em Paris, no dia 25 de abril de 1794.

Em 18 de julho, o sanguinário promotor revolucionário os acusou de manterem contatos contra‑revolucionários, de terem ajudado a revolta dos “bandidos da Vendéia” e de haverem distribuído as insígnias dos revoltados. As três acusações foram aceitas. Era a morte.

No dia seguinte, na Praça da Barreira do Trono — o mesmo local onde dois dias antes haviam sido guilhotinadas as dezesseis freiras carmelitas de Compiègne — chegou a carroça com os três condenados. Maria Vitória, de conduta fidalga até na morte, pediu licença ao carrasco para ser decapitada em primeiro lugar. Não queria que os pais receiassem que vacilasse no último instante, ou que algo acontecesse com ela após a morte deles. Abraçou‑os, ajoelhou‑se diante deles e lhes pediu a bênção. Dirigiu‑lhes então estas belas palavras: “Querido papai e querida mamãe, de vós aprendi como se deve viver; com a graça de Deus, gostaria de lhes ensinar como se deve morrer”. Subiu com firmeza os degraus do cadafalso, e a lâmina decepou o pescoço puro daquele cisne inocente e virginal. Um dia talvez poderemos honrá‑la com o título de Santa Maria Vitória de Saint‑Luc, mártir da Fé.

Depois do martírio de Maria Vitória, as Dames de la Retraite passaram a se chamar Religiosas de la Retraite du Sacré‑Coeur (Religiosas do Retiro do Sagrado Coração).

Contra‑Revolução sob o estandarte do Sagrado Coração


Jean Chouan com o escudo ao peito

A insurreição das províncias do Oeste francês, contra a ditadura revolucionária, em defesa dos direitos de Deus e do Rei, que se deu entre 1791 e 1795, foi largamente colocada sob o patrocínio do Sagrado Coração. Vejamos alguns dos muitos e expressivos exemplos dessa epopéia.

A marquesa De La Rochejaquelein, viúva de um dos chefes insurrectos, afirmou que, desde o começo da luta, todos os combatentes punham sobre si a imagem do Sagrado Coração, como símbolo de adesão à Igreja e ao Rei e de recusa às autoridades revolucionárias de Paris.

Jacques Cathelineau chamado, por sua piedade, o Santo do Anjou — foi homem de condição modesta, mas, por seu valor tornou‑se um dos chefes. Ao se juntar à insurreição, fez o que tantos de seus comandados faziam: colocou o rosário na cintura, o Sagrado Coração no peito, e partiu para a frente de batalha, onde pela sua coragem legendária iria se cobrir de glória e encontrar uma morte heróica.

Em 18 de abril de 1794, sete insurrectos foram condenados à morte porque, ao serem detidos, traziam consigo estampas do Sagrado Coração. Era o suficiente para a sentença dos juízes revolucionários. “Os chouans — afirmou o Presidente do Tribunal levam consigo tais estampas e combatem sob a proteção delas”.

Reação contra‑revolucionária e católica no Tirol

Tomar o Sagrado Coração como símbolo de sua luta contra‑revolucionária não foi privilégio dos insurrectos do Oeste francês. Também no Tirol austríaco a reação camponesa de 1796, e a de 1806 a 1809, contra as hordas revolucionárias, fez‑se sob esse signo. Ali se repetiriam os exemplos heróicos dos vendeanos.

Andreas Hofer, camponês transformado pela necessidade em soldado e chefe de guerra, consagrou seus comandados ao Coração de Jesus. No dia 24 de maio de 1809, antes de dar batalha ao inimigo ocupante do solo pátrio, diante da tropa ajoelhada à qual o capelão acabava de dar a absolvição, Hofer se levantou e prometeu, caso fosse vitorioso, consagrar o Tirol ao Coração de Jesus e celebrar como festa nacional o dia dedicado a Ele. No dia 1° de julho o Tirol foi de fato libertado das tropas invasoras. Esta festa ainda hoje é celebrada na região. Homenageando a devoção do herói tirolês, os camponeses de Passeyer, compatriotas seus, construíram perto de sua casa uma capela dedicada ao Sagrado Coração.

Heroísmo militar sob a proteção do Coração de Jesus

Um ato de heroísmo militar não ficou simbolizado num monumento esplendoroso, nem numa parada brilhante, mas num estandarte ensangüentado e esfarrapado, um estandarte do Sagrado Coração. Um pedaço de pano emocionou a França inteira e teve um poder evocativo enorme.

Esse feito heróico ocorreu no dia 2 de dezembro de 1870, em Loigny, na estrada de Orléans, ao cair da tarde, num momento trágico para o Exército francês, que dava batalha contra as formações alemãs. Dois regimentos franceses haviam recusado avançar, pois do outro lado troava terrível e assustadoramente o canhão prussiano. Havia a superioridade numérica, o poder de fogo arrasador e as vantagens da posição estratégica. O que fazer? Aconteceria a debandada? Fuga na confusão?

Encontravam‑se presentes no campo de batalha dois batalhões de soldados franceses que haviam lutado em defesa do Papa Pio IX, e eram comandados pelo então Coronel Barão de Charette. Esses zuavos pontifícios, com a Pátria ameaçada, apresentaram‑se espontaneamente para defendê‑la. Foram aceitos e agrupados no regimento chamado de Voluntários do Oeste. Na sua bandeira estava bordado o Sagrado Coração.

Nessa situação desesperadora, o General de Sonis, comandante das tropas, gritou indignado para os regimentos que não avançavam: “Pois bem, como os senhores não sabem morrer pela França, vou mandar desfraldar diante de todos a bandeira da honra. Olhai‑a, e procurai segui‑la quando passar por aqui”.

E dirigindo‑se ao Barão de Charette, apelou: “Meu amigo, dê‑me um de seus batalhões”. E acrescentou a seguir: “Chegou a hora de desfraldar a bandeira do Sagrado Coração”.

Então, no meio do fumo espesso, em que silvavam mortíferas as balas prussianas, sob a chuva dos obuses e o choque do canhoneio, a bandeira do Coração de Jesus, bordada pelas mãos piedosas das freiras visitandinas de Paray‑le‑Monial, com a inscrição Coração de Jesus, salvai a França, ondeou pela primeira vez num campo de batalha.

Era ali a bandeira do regimento católico, mas representava ao mesmo tempo a bandeira da honra militar e da coragem nacional. Num gesto de altaneria militar, os Voluntários do Oeste, em agradecimento ao General de Sonis, que lhes dera o honroso encargo de ir para o ponto mais rude e perigoso da batalha, aclamaram seu comandante.

E os Voluntários do Oeste avançaram! As tropas os observavam com espanto. Avançaram com uma galhardia e destemor arrebatadores e com uma força de impacto assustadora. Flutuava sobre eles a bandeira do Sagrado Coração, varada de balas e já empapada de sangue francês.

Os dois regimentos, que antes haviam recusado o fogo, envergonhados, avançaram também. O General de Sonis e o Coronel de Charette se puseram à frente das tropas. Caíram logo, feridos, enquanto o combate ardia terrível e mortífero. A honra militar estava salva.


Basílica do Sagrado Coração de Jesus em Montmartre, Paris

O gesto dos Voluntários do Oeste tocou até o fundo o espírito cavalheiresco do povo francês. Uma lufada do espírito de cruzada percorreu a França contundida pela adversidade. São Luís IX, o santo Rei Cruzado, não parecia mais tão distante, perdido nas brumas da Idade Média. Aí estava a esperança.

Coração de Jesus, salvai a França, repetiam os católicos franceses. E se lembravam emocionados do ensangüentado e esfarrapado estandarte de Loigny.

E com ânimo renovado voltavam seus olhos e sua generosidade para o templo votivo que se planejava construir em Montmartre — e que depois efetivamente se construiu —, como uma expressão do desejo de penitência, desagravo e reatamento com um passado que nunca deveria ter sido renegado.

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As perseguições e o martírio enobreceram a recusa dos princípios revolucionários pelos devotos do Sagrado Coração. Não é pois de admirar que durante todo o século XIX, com repercussões no século XX, a devoção ao Coração de Jesus tenha sido um símbolo da oposição à Revolução. A oposição ao espírito da Revolução impeliu muitíssimos ao heroísmo cristão, sob a bandeira do Coração de Jesus, como vimos. Em outros, mesmo antes da Revolução Francesa, o serviço ao Coração Divino fez mais: levou ainda mais alto, à santidade.

Péricles Capanema Ferreira e Melo



quinta-feira, 9 de julho de 2009

Uso gratuito de transporte urbano no Rio

DECISÃO

Cesar Rocha restabelece cadastro de idosos para uso gratuito de transporte urbano no Rio
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, acolheu o pedido das concessionárias dos serviços de transporte urbano do município do Rio de Janeiro para suspender a decisão que interrompeu o cadastro de idosos no RioCard (sistema de bilhetagem eletrônica) para acesso gratuito ao transporte local. Assim, os idosos devem efetuar o cadastro no RioCard para usufruir o benefício do transporte gratuito, sem limite ao número de viagens que precisem fazer.

A decisão suspensa pelo STJ foi proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que ampliou efeitos de liminar concedida anteriormente ao Ministério Público estadual (MPRJ) pela 6ª Vara de Fazenda Pública da capital, onde tramita a ação civil pública proposta pelo MP sobre a questão. Segundo o presidente do STJ, “os elementos contidos nos autos revelam a possibilidade de lesão à ordem e à economia públicas”, caso fosse mantido o julgado do TJRJ.

O ministro Cesar Rocha restabeleceu os efeitos da decisão da 6ª Vara de Fazenda que manteve a obrigação de o idoso realizar seu cadastro no RioCard para o uso do transporte gratuito no município e que ordenou às empresas que não limitem o número de viagens dos usuários com direito à gratuidade.

Para o presidente, “a implantação da bilhetagem eletrônica, de outra parte, não representa, por si, desrespeito aos idosos ou afronta aos seus sagrados direitos. Ao contrário, o mecanismo, na medida em que permite a racionalização do sistema, evita fraude e assegura a fiscalização do transporte, podendo vir a assegurar a utilização do transporte coletivo de forma segura pelas pessoas idosas e também pela população do município em geral”.

Cadastro em discussão

A discussão judicial acerca da obrigatoriedade de os idosos se cadastrarem no RioCard e dos benefícios previstos para eles em relação ao transporte urbano gratuito teve início com uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O Juízo da 6ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital (RJ) deferiu liminar parcial ao pedido do MPRJ “para determinar aos réus [empresas de transporte] que façam gratuitamente a emissão de 2ª via do RioCard em favor dos idosos e, também, para que o cartão não contenha qualquer limitação quanto ao número de viagens disponíveis aos mesmos”.

Diante do acolhimento apenas parcial do pedido, o MPRJ ingressou com um agravo (tipo de recurso) no Tribunal de Justiça local para ampliar os efeitos da liminar, pedido acolhido. O TJRJ determinou às empresas que deixassem de exigir dos idosos qualquer outro documento diferente do pessoal para o ingresso gratuito no transporte, sem limitar o número de idosos por veículo e sem impor qualquer tipo de restrição. Para o TJ, a exigência do cadastro no RioCard para ingresso nos ônibus viola o Estatuto do Idoso, lei que permite o ingresso dos idosos diretamente nos veículos.

O TJ também impôs às concessionárias a reserva de 10% dos assentos de cada veículo de transporte coletivo a idosos e a necessidade de identificar os assentos com placa de “reservado preferencialmente a idosos”. A decisão no agravo estabeleceu, ainda, uma multa de R$ 300 mil por ato que descumprisse qualquer obrigação imposta pelo julgado da Corte local.

Lesão à economia pública

As empresas delegatárias do serviço de transporte contestaram a decisão do TJRJ em pedido de suspensão de liminar e de sentença (tipo de processo) encaminhado ao STJ. No pedido, alegaram que o julgado do TJ gera a possibilidade de lesão à economia pública diante da ausência de defesa contra fraudes recorrentes no sistema de transporte urbano local.

Segundo as empresas, “o idoso, mediante apresentação de documento de identificação, sem qualquer custo, recebe da entidade representativa das transportadoras municipais um cartão eletrônico que autoriza o ingresso gratuito nos ônibus municipais, sendo-lhe permitido utilizar-se de qualquer assento do veículo”. Para as concessionárias, o Estatuto do Idoso não proíbe a análise da documentação que dá direito à gratuidade, o que é feito em um único momento – quando do cadastro no RioCard –, sistema que “permite um controle mais eficaz, sem o qual se multiplicariam, aos milhões, as fraudes envolvendo o uso de documentos adulterados”.

Além disso, salienta a defesa das concessionárias, o exame da documentação no momento do embarque do idoso causa tumulto e torna mais lenta a circulação dos ônibus e “o próprio idoso, que hoje se submete a esse exame uma única vez, apenas na obtenção do cartão RioCard, passaria a ser penitenciado pela reiterada apresentação de seus documentos”.

As empresas destacam, ainda, que a interrupção do cadastramento dos idosos paralisa a implantação do RioCard, que custou cerca de R$ 60 milhões, além de sua reativação posterior causar uma série de problemas, entre eles, a necessidade de novo cadastro de todos os idosos que já possuem o cartão de bilhetagem eletrônica. A multa de R$ 300 mil por ato descumprido também foi contestada pela defesa, que vê a imposição como fator de risco à economia pública.

Cadastro e benefícios mantidos

O ministro Cesar Asfor Rocha deferiu o pedido das concessionárias para suspender a decisão do TJRJ e restabelecer a liminar parcial da 6ª Vara da Fazenda Pública da capital, que determinou o cadastro gratuito para a obtenção da 2ª via do RioCard pelo idoso sem limitação ao número de viagens gratuitas disponíveis aos usuários que têm esse direito assegurado.

Para o ministro, a decisão do TJRJ que ampliou os efeitos do julgado de primeiro grau para permitir o acesso de idosos sem cadastro no RioCard e também em ônibus e microônibus especiais “esbarra frontalmente na administração e controle do transporte público de passageiros, que são exercidos pelo Estado”.