("FUMUS BONI JÚRIS")

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os três níveis de amor.



Os três níveis de amor


Colossenses 3.14 (12-17)

“E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição”.

O que Paulo ensina nos versículos 12 e 13 é necessário em todo relacionamento humano, mas principalmente na vida familiar: misericórdia - capacidade de alguém sentir no coração a miséria do outro; benignidade - capacidade de desejar e fazer somente o bem; ser afetuoso, bondoso; humildade - a capacidade de não se julgar mais, nem melhor do que os outros, modéstia sincera e realista; mansidão - capacidade de conter sempre a ira, de ser brando, conquanto verdadeiro, diante de críticas ou para fazer críticas; longanimidade - capacidade de suportar com paciência injustiças e fraquezas alheias.

“Suportando-vos uns aos outros” significa servindo de apoio ou suporte ao outro, nas suas carências ou fraquezas; “perdoando-vos...” será que entre marido e esposa há necessidade destas virtudes? Sim, e como há!
Convém lembrar o ensino de Cristo sobre o perdão, em Lucas 17.3-4: “...se teu irmão pecar contra ti, repreende-o, e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar 7 vezes no dia e 7 vezes no dia vier ter contigo dizendo: arrependo-me; perdoa-lhe”.

Note especialmente os verbos: “repreende-o” e “se ele se arrepender, perdoa-lhe”. Todos nós estamos sujeitos a errar e podemos ser repreendidos ou alertados para que reconheçamos o erro, arrependamo-nos e sejamos perdoados. Não devemos esperar perdão se não estivermos arrependidos, nem Cristo nos obriga a perdoar quando o ofensor não se arrepende.
O ensino de Mt 6.14-15 deve ser entendido à luz de Lc 17.4, e vice-versa.
“Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará...”
“Se ele se arrepender, perdoa-lhe”.
A condição para haver perdão, é o arrependimento do ofensor. Isso significa que tem de existir de nossa parte disposição para perdoar, sempre que o ofensor se arrependa. Pois é dessa forma que Deus age e nos perdoa: é quando nos arrependemos. Quando não há arrependimento de alguém que nos ofendeu, temos que deixar o castigo ou vingança para Deus. Mas, perdoar mesmo, até o ponto de “esquecermos” o pecado de alguém, só conseguimos quando sabemos que a outra pessoa se arrependeu. Leia Hb 10.16-17; Je 31.33-34 e Rm 12.19.
Em seguida Paulo diz “acima de tudo, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição”.
Esse é o texto central de nosso presente estudo.

Existem três palavras na língua grega para dizer “amor”:

l. - “Eros”, que quer dizer paixão, desejo ardente; é o amor físico, relacionado com sexo. Daí vêm as palavras erótico, erotismo, etc. (esse é o mais frágil)

2. - “Filía”, que é amizade; é o amor relacionado com a mente. Daí vêm palavras como filantropia, que é o amor à humanidade ou humanitarismo.

3. - Existe a palavra “agápe”, que é a usada em Cl 3.14 e em muitos outros textos do Novo Testamento; é o amor espiritual, aquele com que Deus nos ama, com que nós temos que amar também a Deus, a nós mesmos e ao próximo, como está em Jo 3.16:
“De tal maneira amou Deus o mundo, que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”; Mt 22.37: “amarás, pois, o Senhor teu Deus... amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Sempre o verbo grego “agapáo”.

“Eros” é o que explica a atração dos sexos, e a paixão carnal, despertada pelos fatores físicos, mas também desaparece se estes deixam de existir: a beleza física, o apetite sexual ou libido, etc.
“Filía” é o que torna amigas duas pessoas que têm afinidades intelectuais: os mesmos gostos, os mesmos interesses, a mesma maneira de pensar. Forma grandes amizades, mas também pode desaparecer quando desaparecem essas afinidades, com a mudança de maneiras de pensar, de interesse intelectual ou estético, ou quando há choques de interesses e desentendimento entre as pessoas.
“Agápe”, o amor espiritual, não depende de qualquer fator físico, de condição social, de conceitos filosóficos ou mesmo religiosos, nem de interesses comuns. Na realidade, por maiores que sejam as diferenças e a ausência de afinidades terrenas, o amor agápe pode ser uma fortíssima realidade. Assim é que Deus nos ama. Será que Ele se agrada de qualquer aspecto do ser humano decaído, com todos os defeitos que temos, tanto físicos, como morais e espirituais? Apesar de tudo isso Ele nos ama, a ponto de dar o Filho, Jesus Cristo, para resgatar-nos da condenação e do pecado.
Um casal que se atraiu só por causa dos dotes físicos de um e de outro, pode desenvolver uma paixão irresistível. Essa paixão pode levá-los ao casamento. Mas se esse mesmo casal não verificar se tem grandes afinidades de gostos, idéias e maneiras de pensar; se a educação de um é muito diferente da do outro; os costumes, idem; se não conviveram um tempo suficiente, durante o namoro e o noivado para se conhecerem bem, para se ajustarem e desenvolverem o amor “filía” e o amor “agápe”, dificilmente essa união física será duradoura.
Quem busca o casamento instituído por Deus - profundo, verdadeiro e para durar a vida inteira, não pode se sujeitar a um “casamento de risco”.

Planejamento:
Precisa, especialmente na fase do namoro, conversar muito, desenvolver a amizade, aprofundar as afinidades, e ver se há possibilidade de um casamento bem sucedido. Durante a fase do noivado, que é a fase em que já existe um compromisso de casamento, esse casal precisa planejar a vida familiar: verificar se tem todos os elementos necessários - além da afinidade física, muita amizade e amor espiritual. Além disso, verificar se tem todos os recursos para sustento da família; saber qual a despesa mensal que terão e qual a renda de que disporão; saber as condições de saúde de um e de outro, com os exames pré-nupciais, que hoje incluem o teste de HIV (!), tratar da saúde primeiro, antes de casar; saber onde e em que condições vai viver o casal. O termo é “planejar”.

O casal precisa se preparar em todos os sentidos - saber o que é casamento, as responsabilidades que terão no futuro, preparar-se financeiramente e espiritualmente, pois a família depende da bênção de Deus.

Voltando, agora, aos três níveis do amor: físico, intelectual e espiritual (eros, filía e agápe).
Nenhum deles pode ser negligenciado.
A atração física deve continuar existindo. Nenhum deve se tornar relaxado na sua apresentação pessoal, na sua saúde e na atenção ao relacionamento sexual do casal.
Uma pessoa pode ficar solteira a vida toda e manter a castidade e a pureza, sempre. Mas, se se casou, vai se relacionar sexualmente com seu cônjuge - e deve ser só e unicamente com ele. Vai criar hábitos e estes criarão a necessidade de relações sexuais periódicas. Esse aspecto da vida do casal não pode ser descuidado, como veremos no próximo estudo.

Conselhos práticos:
Cuide-se! Procure ser atraente para seu marido ou sua esposa e, na intimidade, corresponda à expectativa de seu cônjuge.
A amizade entre o casal é de suma importância. O diálogo, o “bate-papo” descontraído, o lazer, a recreação, pequenas e grandes atenções dispensadas um ao outro, passeios juntos, camaradagem, são muito importantes. É necessário cultivar o “bom humor”. Seu melhor amigo deve ser seu cônjuge, aquele que o conhece muito bem, e está pronto a servi-lo em todas as horas e situações. Se possível, leiam juntos, estudem juntos, ajudem-se no trabalho, na vida doméstica, sejam companheiros em tudo, amigos que deram a vida um ao outro.
O amor espiritual também precisa ser cultivado, e está intimamente relacionado com a vida religiosa, a comunhão com Deus.

Ler a Bíblia juntos, orar juntos, adorar a Deus juntos, compartilhar a vida espiritual, tudo isso fortalecerá e enriquecerá em tudo a vida matrimonial; ajudará grandemente os outros aspectos ou níveis do amor.

Se fizerem isso, marido e esposa compreenderão claramente, e cada vez mais, que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem dos que amam a Deus”- Rm 8.28. Compreenderão e terão mais condições para praticar isto: “quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” - 1Co 10.31.

Não há incompatibilidade entre os níveis do amor no casamento; ao contrário, eles se completam; mas só no casamento, não fora dele. Sexo fora do casamento é prostituição. Casamento sem amizade é atrito constante. O amor “agápe” é o “vínculo” que une tudo com vistas à perfeição.
Qual deles é o mais forte ou o mais importante?
Seguindo a mesma ordem que seguimos até aqui: o amor “eros” é muito importante, indispensável; é ele que completa e consuma a união matrimonial, sem ele não há um casamento completo, pois a ordem de Deus inclui o sexo: “crescei e multiplicai-vos” - Gn 1.28. Este tipo ou nível de amor é fortíssimo, queima como fogo. (nunca esquecendo do planejamento familiar).
Mas, por outro lado, é frágil porque depende de várias circunstâncias e fatores: saúde física e disposição para o ato sexual; uma enfermidade passageira ou permanente pode comprometê-lo em parte ou totalmente, e os cônjuges devem saber disso. Isso significa que, se a união conjugal estiver alicerçada no sexo, ela poderá acabar e tornar-se uma grande decepção. Como base do casamento, “eros” é o mais frágil.

Deve ser ainda observados, os vícios, dependências e desejos descontrolados...
O processo de desenvolvimento do vício deixa claro que não é o chocolate, o cigarro ou o vinho que faz a pessoa se sentir bem. Independentemente do que a pessoa use, ou pratique que cause dependência ou desejos incontroláveis, só serve para encobrir uma sensação ruim, uma tensão interior. A sensação gostosa, sendo um estado vicioso, dependente, incontrolável, não é realmente boa, pois, esses adjetivos só mascara a sensação ruim que deve ser combatida através da palavra de Deus, e/ou auto-controle.

O amor “filía” (amizade) é, em certos aspectos, mais importante do que o sexo, porque se deixa de haver amizade entre o casal, entendimento e prazer na companhia um do outro; se há uma discussão azeda, um ressentimento, uma ira não resolvida, isso pode acabar temporária ou definitivamente com a atração sexual. Brigado, dificilmente um casal se relaciona sexualmente de modo satisfatório.

Então, cuidado!
Cuide da amizade com seu cônjuge. Verifique se seus melindres, caprichos e exigências muitas vezes excessivos, não estão prejudicando seu relacionamento com o cônjuge. Verifique se é ele que está exagerando nesses melindres, caprichos e exigências; conversem sobre o assunto. Busquem sempre o “entendimento”, pois um desentendimento - às vezes por motivo insignificante - se não for bem resolvido, poderá ir crescendo como uma bola de neve, destruindo tudo o que vier pela frente.
Às vezes este aspecto do amor é prejudicado através dos anos, porque um dos cônjuges evolui e o outro, não. Um estuda, ilustra-se, muda sua maneira de pensar sobre aspectos importantes da vida, e o outro permanece onde estava há 5, 10 ou 20 anos. As próprias condições de vida sofrem mudanças. Então o casal que antes se entendia, começa a ter dificuldades de relacionamento. Convém que ambos procurem estar no mesmo nível intelectual. Um precisa acompanhar o desenvolvimento do outro.

Como um dos fundamentos da união conjugal, a amizade é importantíssima e mais resistente do que “eros”, mas também pode acabar se não for bem cuidada.

O amor espiritual, “agápe”, é o que tem condições de durar a vida inteira, porque não depende das condições físicas, nem das idéias e gostos, nem de afinidades ou interesses intelectuais e sociais. Ainda que falte tudo o que já foi mencionado como importante para o casal, 2 pessoas podem continuar se amando a vida toda, como marido e esposa; podem continuar unidos, féis um ao outro; podem superar as deficiências; superar de fato e ser felizes, tanto quanto é possível a felicidade na Terra.

Um casal, cristão. Relativamente moços, entre 40 e 50 anos de idade, amavam-se. Ela começou a sofrer um reumatismo tal que a levou para uma cadeira de rodas; suas pernas não tinham mais a mobilidade de antes. Um dia o marido contou como ela estava preocupada com ele porque seu relacionamento sexual estava prejudicado. Ele lhe disse que não precisava ter tal preocupação. E continuaram se amando e sendo fiéis um ao outro, “até o fim” que um dia realmente chegou.
Uma cena mostrada na televisão, numa “Campanha da Fraternidade”. Era uma cena real: um casal velhinho; ela, enrugada, feia, quieta, sem nada dizer, presa ao leito de enfermidade; ele, também feio, enrugado, sentado ao seu lado, igualmente quieto, sem dizer nada. Mas ambos de mãos dadas. O que representava essa cena: a atração física (sexo) se acabara; assunto para conversar, já era escasso; o que restava, porém, era o mais importante, que “dura para sempre”, o amor espiritual, de alma para alma.

Cuide dos três níveis do amor. Eles são o tripé que sustentará sua vida familiar equilibrada, feliz. Nenhum dos três pode faltar para uma felicidade completa. E prepare-se para continuar amando sua esposa/seu esposo “até o fim”, e na eternidade esse amor ainda existirá.
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Créditos:
Presbítero Sebastião Fernandes, durante 13 anos de evangelho, atuou nas diversas áreas das Igrejas Evangélicas e atividades sociais no Estado do Rio de Janeiro.
Formado Básico em Teologia em1998/EB/RJ, Médio em Teologia -1999/EPOAN/RJ.
Inst. Técnico em Prevenção ao Uso Indevido de Drogas pela PMERJ, atuando desde 1999 nas escolas, igrejas e associações, formando mais de 4.000 alunos em multiplicadores da resistência às Drogas, incluindo ciclo de palestras para professores, pais e responsáveis no RJ.
Participante, organizador dos “Jogos da Paz”- desenvolvido pelo Gov. RJ e UNESCO em 1999.
Fundador do PROECD (Programa Educacional de Combate as Drogas) em 2000.
Téc. Em Prev. Ao Uso Indevido de Drogas pela Universidade Federal de Brasília em 2001.
Fundador, diretor professor do Curso de Missiologia (Missões Trans-culturais) em 2002 – Igreja Evangélica Assembléia de Deus de V. Tiradentes/SJM/RJ.
Palestrante do PROJUSTE (Programa da Justiça Terapêutica) – Juizado da Infância e Juventude de SJM em 2002. Multiplicador de Ações Preventivas e projetos Sociais pela Universidade de Santa Catarina em 2003...
Bacharel em Direito Penal – Universidade Estácio de Sá em 2009.
BLOG SPLOT PROECD – Fumaça do Bom Direito / email: proecd14@yahoo.com.br

Pastor Rubens Pires do Amaral Osório, durante mais de 50 anos de ministério, reuniu grande quantidade de escritos para sermões, aulas em Escola Dominical e Seminários. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, aos 81 anos, mora hoje em S. J. dos Campos com sua esposa M. Aparecida. Tem dois filhos e quatro.

Rosana Soares Pacheco,membro da Nova Assembléia de Deus em Agostinho Porto, esposa, mãe, mulher virtuosa, durante 13 anos de evangelho, atuou em diversas áreas das Igrejas Evangélicas, palestrante do PROECD (Programa Educacional de Combate às Drogas) no ano de 2000, participante organizadora de conferências em Igrejas, professora de Escola dominical desde de 1999 até 2009. Esposa do Presbítero Sebastião Fernandes.
Básico em Teologia pelo Instituto Ebenézer-RJ.


Bibliografia:
Bíblia Petencostal (comentada)
Livro: Ame a você e permaneça casado
Autora: EVA Maria Zurhorst/editora/Sem Fronteiras

Um comentário:

guto disse...

Estão De Parabéns, Muito Bom Amar , Que Deus Ilumine Sempre a todos Vocês e saibam mesmo não sabendo onde estão, como estão, eu já Amo Vocês...